Uma parte muito feliz da minha vida foi a minha infância. Fui a neta mais nova por longos oito anos. Éramos quatorze primos! Quando estávamos juntos e se, por acaso, fossemos comprar bolachas, e todos quisessem de morango e eu quisesse de chocolate, meu voto era unânime e todos comeriam a que eu tinha escolhido. Sempre fui mimada, paparicada e muito, muito, muito amada. Lembro com muitas saudades de todos esses momentos.
Sempre gostei muito de interagir. Falo pelos cotovelos! Falo com quem não conheço, sorrio pras pessoas na rua, e sempre foi assim. Lembro de uma vez que fui ao cinema assistir ao filme dos Trapalhões e quando acabou a sessão, subi naquele palquinho que fica em frente á tela e comecei á dançar. Resultado: risada geral da platéia! Minha tia lembra até hoje dos créditos do filme sendo projetados em mim e essa história ainda rende boas risadas. Na verdade (mas que ninguém nos ouça!) é que não gostava de interagir... eu era exibida mesmo!!!...rs
Adorava cozinhar (e ainda adoro!)! Quando criança, aprontei uma das boas. Fui dormir na casa dos meus avós e decidi, de madrugada, que iria preparar um bolo (surpresa, claro!) prá minha avó tomar café da manhã no outro dia. Fui batendo todos os ingredientes (sem batedeira... esqueceram que era surpresa?!?) e quando chegou na parte da margarina, notei que tinha acabado. Não deu outra: coloquei maionese!!! Quando me perguntaram sobre aquele “gostinho diferente” não disse nada... só fui revelar o tal segredo muito tempo depois...rs
Também gostava muito do meu “lado moleque”. Parecia que meu joelho tinha um imã que o ligava ao chão; sempre estava estropiada, mal-trapadilha... ainda na casa dos meus avós, tinha um terreno na parte da trás que era o meu parque de diversões e dos meus primos; só tinha um detalhe: era todo de terra! Num dia de festa, minha mãe me colocou um vestido branco e avisou: não vai até o campinho e pronto! E adivinhem só? Rolei no barranco (daqueles que deixam a gente vermelho uma semana!) sem querer. Gente, minha casa caiu nesse dia!!! Só por Deus mesmo!!!
Ahhhhhhhhh, outra história boa... todo mundo sempre tem uma prima que quer ser a Xuxa, certo? Pois na minha família não era diferente! Mas ela era uma Xuxa autoritária (kkkkkkkk)! Além de querer que as meninas fossem as Paquitas, os meninos eram aquele grupo, o Dominó. E o bicho pegava prá quem errava a coreografia! Só que ser a caçula também tinha o lado ruim; quando estávamos só eu e ela (a Xuxa autoritária...rs) ela me obrigava á aprender várias coreografias e, até hoje, tenho trauma daquela música do “princípio, meio e fim” do Fábio Júnior. Vida dura!
Sem contar outra prima, que insistia em me colocar dentro da máquina de lavar roupas, me fazia ficar de olhos fechados e me dizia que, se eu abrisse os olhos, os ET’s iriam me pegar. Caçula sofre, minha gente! Mas com ela também aprendi á ler e escrever (a parte mais bacana!) e como tinha muita dificuldade em diferenciar o ‘b’ do ‘d’ ela me dizia que ‘o b é o que tem a barriguinha e o d é o que tem o bumbunzinho’ (muito didático esse método!); com ela também aprendi a andar de bicicleta e tomei vários tombos. E essa, ao invés da Xuxa autoritária, ouvia Engenheiros do Hawaii.
Que seção nostalgia! Relembrar essas histórias só me faz perceber o quanto sou feliz justamente por ter tido tudo isso na minha infância. Saber que tudo o que sou hoje, devo á essas pessoas maravilhosas que fizeram e ainda fazem parte da minha vida. Que mágico! Eu tenho certeza que essa criança que aprontou todas essas coisas ainda está muito viva dentro de mim; e mais, sei que ela que me dá forças prá superar esse monte de problemas de adulto! É clichê, é frase feita... mas nunca deixe sua criança morrer!
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