Quando comecei a facul de Jornalismo, lá em 2004, conheci um cara foda chamado Matias; sabe, sempre gostei de pessoas que eram muito diferentes de mim e ele era (e é!) meu oposto. A primeira vez que olhei prá ele, não me lembro, mas imagino que tenha sido com cara de raiva-mortal, afinal de contas, o cara chegou atrasado na primeira aula, me chamou de "ô" e me pediu caneta e papel pq tinha esquecido o material dele em casa. Pensa!
Depois de um tempo (três dias), não resisti a tanto charme. Era fato: ele sentava ao meu lado (sempre atrasado!) e conversávamos a aula toda por bilhetinho; acho que esse fato contribuiu para minha não-formação jornalística...rs. Um belo dia o traste sumiu da facul, e detalhe, foi embora sem deixar rastro. Até hoje imagino que ele tenha saído fugido da instituição...rs
Mas vcs sabem, quando as mulheres querem alguma coisa, sempre conseguem; por meios ilegais (hoje eu assumo!) consegui o endereço, e consequentemente, o telefone do querido. Nos falamos algumas vezes, marcávamos cerveja e nunca dava certo. Até que um dia, ele apareceu na facul, na hora da entrada, sem avisar... fomos parar num boteco e a vida foi uma festa. Os melhores amassos no meio da rua sempre foram com Matias.
Brigamos algumas vezes, pelos motivos mais ridículos do mundo; brigamos pq eu quiz que ele se aproximasse de uma antiga paixonite, brigamos pq deixei uma CPU no quarto dele e até brigamos pelos nossos desencontros, porém, os reencontros sempre foram melhores.
Me lembro de um bar que nós fomos; o dono era um coreano que "não entendia uma palavra se quer em português". Quando pedíamos cerveja vagabunda, ele se fazia de desentendido, mas quando solicitávamos uma Bohemia ou Original ele trazia de bate-pronto. No fim da noite pedimos duas doses de tequila e naquela noite, a vida tb foi uma festa.
Nos reencontramos esse ano, depois de um longo período sem nos ver, Matias e eu sabemos que tem que ser assim, só podemos nos encontrar duas vezes ao ano. Como diz a música do Wando, aquele brega, nós somos fogo. A boca continua igualmente linda, os dreads estão maiores e agora ele pilota uma moto; a cara de cafa e a convicção de não acreditar na monogamia dá a ele dois atrativos a mais. Temos um bate-lugar reservado, ali, na esquina da Jau com a Augusta; dali saem as melhores taradices e as noites mais calientes do inverno.